Agora que você me ensinou a gostar de você, não espere que eu saiba como não gostar...

É um tipo estranho de sensação; aquela de querer comer o seu sorriso, degustar seus movimentos em minha direção, devorar seu jeito de sorrir pra mim. É gostoso sentir que o seu olhar é macio e quando ele me olha eu estou realmente seguro... Mas também o quero fazendo parte de mim. Quero comer você!
O amor, quando plantado em solo fértil cresce com propriedades milagrosas e medicinais, mas não é só isso, ele evolui para uma condição que desperta qualidades antropofágicas em pessoas que passaram pelos portões do jardim que eu não sei o nome, mas é onde estou. Ninguém sabe como chegar e muito menos onde fica esse lugar, apenas sabe-se que em algum momento paramos em frente a esses portões, e convém atravessá-los.
E toda vez que o sol nasce, nasce também esse desejo incompreensível de querer lhe trazer para dentro de mim, e nada mais faz tanto sentido quanto a veemência da cor desse desejo ensurdecedor. Sofro de uma vontade doida de devorar sua beleza para ter um pouco mais de você circulando em minhas veias, como se isso fosse acalmar a minha necessidade de você em mim. Isso não tem nada a ver com comer a sua carne, isso seria canibalismo, ou numa definição sexual, uma espécie de sexo apenas por instinto. Te devorar tem a ver com comer a sensação boa que você me causa, comer o som das suas palavras mais gostosas.
Eu sei, é um comportamento puramente egoísta. Entretanto, se você me alimentar bem, e com o que eu preciso, posso cuidar melhor de você, meu amor.
Você tem a incumbência de produzir sorrisos todos os dias para minha mesa, são sorrisos que colho com cuidado, sutilmente sem que você perceba, e me alimento deles, é isso que me deixa mais perto do cheiro que lhe identifico, perto dos seus anseios e em pleno contato com sua feminilidade.
Viver com você é despertar uma enorme curiosidade sobre mim. Como você pode me conhecer tão bem? Como você pode ir e vir tão desenvolta dentro de mim sem esbarrar nos alarmes que me protegem? Não sei. Contudo, agora que você me ensinou a gostar de você, não fique pensando que eu saberia não gostar de você...
Allê Barbosa
25 de Outubro de 2011


3 Comentários:
Às 11:42 AM ,
Anônimo disse...
:-) Sim encontrei uma atualização.
Volto depois para comentar.
azul
Às 1:44 PM ,
Anônimo disse...
Cheguei aqui distraída e sem esperar nenhuma novidade, já que esse blog passou um tempo esquecido. Tamanha surpresa me deparo com um texto perfeito, preciso, poético. Em cada palavra é exalada sua sensibilidade, seu desejo, seu tesão, seu amor incondicional pela sua companheira. É o melhor texto do blog, em minha opinião. Senti respingar para todos os lados resquícios de um homem apaixonado que é o que há de mais maravilhoso no mundo. E, para ela, sua companheira eu diria o que certamente seria desnecessário: curta esse homem, estrague-o de tanto amá-lo.
Felicidade para vocês.
azul
Às 11:42 PM ,
Nanda Márjorie disse...
Allê, parabéns! Quanto sentimento exalado em cada frase... é como se pudéssemos ver um homem completamente apaixonado e que não tem medos e problemas em expor seus verdadeiros sentimentos. Parabéns!
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